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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

o reencontro

  Despia-se lentamente de tudo que lhe cobria o corpo. As roupas, os medos, a vergonha, deixando somente a candura de uma menina.
  A cada peça de roupa que caía ao chão, se ia uma lembrança ruim, algo que desejava esquecer. A calcinha  pequena de renda seria a última peça, embora estivesse de vestido -o que facilitaria a retirada em primeiro lugar -, escolhera ela como peça chave da nudez total e plena. Tudo era retirado devagar, sem sensualidade, apenas com leveza, para que cada pensamento acompanhasse cada peça, do início de seu toque, até o encontro com o tapete que forrava o piso frio.
 Antes de mergulhar em sua banheira de água fria, contemplou seu corpo no espelho atrás da porta. Queria ver se ainda era a mesma Lucy. Mesmo sem as roupas envolventes, o olhar maldoso e malicioso, o corpo inclinado para provocar, seria ela verdadeira?
 Colocou o pé esquerdo de leve na água. Hesitou retirando rapidamente os dedos, antes que chegassem a afundar. Estava fria, mas era nessa temperatura que seu corpo deveria permanecer por algum tempo. Lucy já sentia seu corpo quente o suficiente. Resolveu ser mais ligeira ao entrar, em um único e súbito movimento, sentou-se e levou sua cabeça inclinada para fora da banheira. Ficou um tempo olhando para o teto sujo e por alguns segundos pensou em como o limparia, mas antes de obter uma resposta lembrou que não estava ali para rever seu papel de dona de casa.
  Afundou a cabeça na água e permaneceu ali, imóvel até o insuportável momento que o ar quase se foi. Voltou a fitar o teto imundo e sem tirar os olhos do mesmo ponto, pegou uma esponja de banho e a deslizou sobre seu corpo. A princípio o lavava sem pretensão alguma, mas quando as gotas molhadas enrijeceram seus mamilos, os cabelos de sua nuca se arrepiaram. Continuou com movimentos leves e a cada toque, uma parte do seu corpo se arrepiava.
  Desceu  e subiu devagar a esponja dos seios até embaixo do umbigo. Leve, porém firme. Enquanto sua mão conduzia a esponja por este caminho, suas coxas se encontravam e se apertavam, como um abraço de reencontro. Sentia que seu sexo pulsava e pedia por suas mãos. Há tempos não fazia isso, há tempos não se dava prazer. Buscava todas as noites por algo que ela esquecera de lhe dar. Lembrava bem de como fazia antes e de como era bom, quente e irresistível.
 Já não podia mais resistir. Conforme o corpo de Lucy se mexia, a água criava pequenas ondas, expulsando para o tapete o que sobrava naquele espaço. A cada gota caída no chão, Lucy retirava de si o que ainda restava de pudor, medo e vergonha. Apenas o encontro dela com seu corpo, com sua redescoberta. 
 Finalmente os dedos encontraram o lugar que queriam estar. Suavemente encostou as pontas dos dedos nos lábios do seu sexo, e aos poucos foi procurando novos postos de prazer. Seu clitóris parecia maior e mais sensível, fazendo com que Lucy desse pequenos pulos a cada toque. Os dedos pareciam saber a direção certa, passeavam até penetrarem totalmente no corpo de Lucy. Iam e voltavam com diferentes intenções, sem se esquecer das partes mais externas. Parecia que sua mão criara vida. Era tão intensa e tão sábia!
  Lucy gargalhava, mordia seu lábio inferior, gemia, urrava sem importar se alguém a escutava no andar de cima ou de baixo. Nada lhe importava além do seu prazer. Durou um bom tempo até seu corpo ser tomado por uma sensação de cansaço, arrepio, vontade de continuar, tremedeiras e outras sensações indescritíveis. Soltou seu último grito seguido de um suspiro aliviado.
 Sorriu um riso doce, quase angelical e voltou a fitar o teto. 


domingo, 29 de setembro de 2013

Desejo colorido

Lucy tinha algumas amizades que ultrapassavam as barreiras do pudor e do desejo oculto. Sempre cultivara essas amizades por que segundo ela, estas eram as verdadeiras. Acreditava que sentir atração por um amigo seria algo absolutamente normal e saudável, aliás, sempre soube que as relações mais ardentes eram com aqueles amigos..."coloridos". Estes sim sabiam seus segredos, seus toques, seus desejos e assim sabiam satisfazê-la da melhor forma, sem cobranças nem ressentimentos.
 Estes amigos eram cuidadosamente escolhidos, para que nada fugisse de seu controle. E Lucy sabia selecionar muito bem, como se descobrisse quem seria em um simples olhar. Não precisava questionar ou usar de artimanhas para que o amigo se revelasse um ótimo amante.
 Lucy gostava de ter esses amigos para quando se sentisse solitária. Assim, teria com quem conversar, beber e se entregar sem nenhum medo. Também eram necessários nas noites em que Lucy não queria sair para "caça", ou quando não houvesse nada de atraente nas ruas.
 Mas ultimamente estava sozinha, sem amigos coloridos ou mesmo em "preto e branco". Embora não fossem muitos, todos tinham cansado dessa vida de vai e vem dos desejos. Todos resolveram tomar um rumo na vida sentimental e arrumar alguém com quem poderiam dividir cada segundo de suas horas livres. Todos menos Lucy. 
 Para ela pouco importava se somente ela havia "sobrado". O que importava mesmo é que ela havia perdido suas "cartas na manga"! Há tempos não encontrava em suas aventuras um amigo desse tipo. Mas sem querer, alguém que sempre havia passado despercebido aos olhos fogosos de Lucy ressurgiu em seu caminho.
 Se encontraram por acaso em um bar e fizeram o que sempre foi feito por ambos: apenas se cumprimentaram. Ficaram em lados opostos do balcão, mas os olhos se cruzavam a cada instante. Sempre que podiam, paravam e se fitavam por um longo tempo. Cansada de ficar sentada buscando coisas que nem ela sabia o que eram, resolveu dançar. De olhos fechados, claro.
 Dançou uma música como se flutuasse e ao começar outra, sentiu uma mão cheia de unhas agarrar sua cintura, colar o corpo no seu e seguir seus movimentos. Lucy não abriu os olhos, nem se virou até a música terminar. Ao se virar deparou com os olhos que encontrara no balcão. Ambos sorriram e suas bocas se aproximaram como imãs. Dançaram, beijaram, se acariciaram e se deliciaram com todo aquele flerte.
Ao saírem, ela o convidou para juntos buscarem um lugar mais deserto e escuro. Andaram por ruelas, pararam em muros e espaços entre casas, mas sempre aparecia algo: um carro, casais, grupos saindo de festas. Todos pareciam contra aquele encontro dos dois, e pela primeira vez, Lucy foi embora segurando suas fantasias. Mas ela não poderia deixar aquela situação inacabada.
 Procurou-o onde podia, até encontrar seu contato através de um amigo em comum. Sem hesitar, ligou e combinou um outro encontro. Poderia ser em qualquer lugar, desde que pudesse ficar a sós com seus desejos e fantasias. Ele a convidou para ir em sua casa, e lhe prometeu uma grande noite.
 Quando Lucy chegou, prontamente ele lhe ofereceu uma bebida. Havia música boa, bebidas e um clima quente. Tudo perfeito para Lucy que já ardia. Ele tinha o corpo magro, rígido, unhas compridas prontas para atacar. Seu rosto aparentava ser de bom moço, daqueles que não sabem o que fazer com as mão ou como agir na cama. Para Lucy esses são os melhores. Escondem como ninguém seus mais ardentes desejos, são ousados e adoram surpreender.
  Ela estava certa. Sutilmente ele se aproximou de Lucy que dançava com um copo de Martini na mão. Beijou seus ombros, pescoço até subir lentamente até sua boca. Os corpos anunciavam o tesão e ambos já não queriam fingir ou inventar outras situações. Começaram no sofá: beijos longos, mãos que percorriam os corpos sem deixar escapar qualquer parte, o corpo dele sob o dela fazia com que se molhassem de suor e prazer.
 Foram para o quarto, e em silêncio despiram-se de tudo que separava seus corpos. Se encaixaram perfeitamente enquanto suas línguas se reencontravam. Lucy começava a descobrir o porque de unhas tão grandes. Estavam ali para percorrer o corpo de Lucy, para adentrar em sua carne de forma deliciosamente dolorida. As mãos que pareciam tão suaves, seguravam o cabelo de Lucy com força mas ao mesmo tempo com cuidado. Era selvagem, ardente e surpreendente como ela previra.
 A língua dele havia deixado a boca de Lucy e descia suavemente até sua barriga, coxas e sexo. A vontade dos corpos de entrar um no outro não era mais latente, mas todo aquele ritual enchia seus corpos de um tesão sem tamanho e Lucy se sentia quase em erupção. A boca de Lucy devorava o corpo dele, enquanto as unhas cravavam e rasgavam a pele clara de Lucy.
 Finalmente os sexos se encontraram uma, duas, três...várias vezes durante a noite que se seguia. Lucy queimava e seu fogo insistia em não cessar. Ele não negava nada, estava a mercê dos caprichos de Lucy por que também eram os seus. Tudo o que faziam seguia da vontade de ambos.
No outro dia estavam felizes mas não satisfeitos. Seguiram se buscando, se encaixando e se devorando durante uma manhã inteira. A pele de Lucy se encontrava desenhada e poucos espaços ainda restavam sem um arranhão. Marcas da primeira noite dos novos amigos coloridos.
Este ela apelidara de "amigo arco íris", e a única coisa que a repudia é saber que ela não é sua única amiga com benefícios.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Chuva de suor e desejo

Fazia já algum tempo que Lucy não saía do "seu território", não viajava, não visitava cidades vizinhas, não conhecia outros ares, outras paisagens, outros corpos. Cansada de frequentar os mesmo bares, ver quase os mesmos rostos (embora sempre aparecesse algum visitante), andar pelos mesmos becos sombrios decidiu arrumar uma mochila e "fugir". Queria ver se a lua em outra cidade era mesma, se os desejos permaneciam ocultos nos moradores desse outro lugar, se os olhares diziam coisas que não sentiam e se as bocas se negavam a receber o vermelho do sexo.
 Partiu ligeira, urgente e sem rumo. Não tinha ninguém para se despedir na rodoviária, o que tornara sua partida um tanto quanto melancólica, mas não menos divertida. Olhou bem ao redor, na procura de uma "vítima" talvez. Uma despedida rápida no banheiro imundo daquele lugar. Nada lhe agradou.
 Ainda não sabia seu destino e para não ser injusta com nenhuma cidade, decidiu entrar na fila de pessoas mais interessantes e diversas. Uma fila com casais, velhotes com aspecto cansado de uma vida sem graça, jovens procurando por festas em lugares onde seus pais não pudessem descobrir, enfim, transeuntes solitários e fingidores de seus desejos, porém com algo que chamava atenção de Lucy.
 Embarcou e seguiu viagem alimentada pela curiosidade do que poderia encontrar por lá. Sem querer, acabara por escolher uma cidade pequena e pacata, mas ao invés de se arrepender de tal escolha, Lucy ficou ainda mais feliz, pois sabia que nessas cidadelas os desejos se ocultavam em lugares afastados, proibidos até mesmo de serem mencionados. Eram nesses lugares que Lucy queria espalhar a semente da luxúria, do pecado e do prazer.
  Foram seis horas de viagem cheias de expectativas, e embora o calor escaldante deixava seu corpo cansado, Lucy não queria descansar assim que chegasse na cidade. Queria descobrir.
   Ao chegar na pequena cidade, deparou-se com ruas quase vazias. Um ou dois carros passavam de vez em quando pelas ruas estreitas. O hotel que se hospedara ficava em frente a uma praça -única por sinal. Assim que o avistou, entrou direto pois precisava de um banho e de roupas mais leves.Subiu até seu quarto, e antes mesmo da porta se fechar, já estava se despindo. Entrou no chuveiro, se molhou e passou o sabonete delicadamente pelo seu corpo. Queria estar purificada para novas experiências. Depois de se enxugar, enrolou-se na toalha, abriu sua mochila e tirou a roupa que vestiria. Apesar do dia quente, sabia que mais tarde iria esfriar, e não pensava em voltar para aquele quarto tão cedo. Ao invés de um vestido, preferiu usar calças jeans.
   Saiu a andar pela cidade sem rumo. Já começava anoitecer e Lucy ainda não havia visto ninguém interessante. Na verdade, quase não enxergara pessoas naquela cidade. Alguns pingos de chuva começavam a cair, mas nada que impedisse Lucy de ficar pelas ruas.
   Chegou em frente a um bar e resolveu procurar algo que pudesse lhe aquecer. Se não encontrara um corpo, ao menos uma boa bebida servia para lhe encher de calor. Dentro do bar, havia um grupo de rapazes falando alto e discutindo sobre a bebida que levariam. Lucy olhou um por um, dos pés a cabeça e embora nenhum lhe atraísse, os achou divertidos. Se aproximou e sugeriu um vinho, já que a noite começava esfriar e a chuva traria ainda mais frio. Foi doce, simpática e sensual ao dizer tudo isso. Pronto! Foi o bastante para iniciarem uma série de conversas.
  Todos ali estavam a passeio na cidade e estavam prestes a fazer uma despedida, pois iriam embora na manhã seguinte. Estavam todos acampados em uma espécie de galpão, e muitos outros ainda estavam por lá. Lucy pensou em se convidar, mas antes disso alguém já havia lhe feito o convite.
   No momento em que saíam do bar uma tempestade se fez, inundando ruas e dificultando acessos. Um dos rapazes pegou seu telefone e ligou para um amigo motorizado, pedindo para que os buscassem. Logo chegou o tal amigo e Lucy, que ainda não havia encontrado o interesse nos outros, ali viu sua noite acender. Ele mal a olhou, mas ela sabia que mais tarde a olharia. E ela faria de tudo para que isso acontecesse.
     Chegaram no tal galpão gritando, cantando, festejando, enquanto alguns que haviam ficado no local respondiam no mesmo tom. Uns vieram conhecer Lucy, que se mostrou aberta a qualquer diálogo. Conversava sem tirar os olhos daquele homem. Um homem! Não era um rapazote de rosto bonito e pouca vivência na cama. Era um homem de rosto e corpo firme, cuja ótima "performance" se mostrava visível a Lucy. Ela o desejava mais que tudo ali. Mais que as conversas, que o vinho barato ou que a brincadeira que iniciava em um canto escuro do galpão.
   Todos toparam participar da brincadeira erotizada, com a proposta de fazer com que os segredos mais sagrados saltasse das bocas já embriagadas. Algumas revelações que juntariam muitos corpos sedentos, fogosos e atraídos desde o primeiro gole. Lucy queria participar para conhecer melhor o homem. Assim como ela, ele havia feito loucuras, denominadas como coisas horríveis e proibidas. E conforme iam se revelando seus olhares iam se cruzando, se encontrando e buscando a vontade de colocar algumas coisas em prática.  Lucy já não se segurava na cadeira.
  O homem saiu, se dirigiu ao banheiro e da porta fez um sinal para Lucy, que se levantou ligeira sem prestar atenção se alguém viria aquela cena. Antes que pudesse tocá-lo, ele a agarrou e a encostou em uma parede. Passando o banheiro havia uma espécie de sala escura. O lugar preferido de Lucy.
  Ferozmente aquele homem a beijou e a tocou sem pudor nenhum. Suas mãos transitavam pelo corpo de Lucy, assim como sua boca quente. O desejo de ambos era continuar com aquela sequencia de mãos, toques, beijos e apertões. Pouco importava se seria ali ou em outro lugar. No meio de tanta loucura foram interrompidos por passos que se aproximavam. Sem perder tempo o homem a convidou para conhecer seu carro. Lucy sorriu. Não precisava responder.
  Antes, beberam e riram mais um pouco. Como antes, o homem se dirigiu a porta da rua e fez um sinal. Lucy novamente correu dali, e dessa vez sabia que todos haviam percebido o que acontecia.
 O carro grande estava estacionado quase em frente a porta. Nem a chuva forte fez com que ambos desistisse da aventura. Lucy nunca entendeu sobre carros, só sabia que aquele era grande o bastante para fazer tudo e muito mais.
  Lucy estava em pé quando ele começou a beijar seu corpo, tirar sua roupa e penetrar sua língua. Uma língua que sabia os lugares certos, os pontos da loucura. Sua boca era quente e queimava as coxas de Lucy. Sua língua envolvia cada pedacinho, penetrava em cada canto ou dobra de pele. Lucy se sentia plena, e se soltava a cada toque que aquelas mão fortes lhe dava. Os calafrios já não podiam ser dominados, assim como os suspiros e os gemidos. Sim! Gemidos, como já nem lembrava mais como se emitiam. Os gritos vinham de uma parte do corpo ainda desconhecida por Lucy, mas isso já não importava mais. Ela gostava dessa espontaneidade do seu corpo. E como gostava. Nada era mais sincero que o movimento do seu corpo e seus gemidos. Enquanto ele dizia que Lucy podia fazer o que quisesse com ele, ela pensava o mesmo sobre ele fazer tudo com ela. 
  Pela primeira vez não queria ser a dominadora, não queria satisfazer apenas suas vontades porque sabia que os desejos eram os mesmos. Ambos queriam tudo e urgente!
 A língua de Lucy também percorria o corpo daquele homem cheia de prazer. Sua boca descobria e encobria o sexo pulsante e firme. Mesmo que fizesse tudo, que experimentassem maneiras e toques, nada os fazia parar. Nem mesmo o fato de talvez serem pegos pelo guarda que passava apitando em meio a chuva. 
Enquanto as gotas de chuva caíam lá fora, gotas de suor escorriam pelos corpos, sem que se pudesse identificar a quem pertenciam. Aliás, não se podia dizer que algo ali ainda pertencia a eles. Os nós de braços e pernas eram tantos que formavam um só ser.
 Os vidros embaçados delatavam o que ocorria dentro do carro. Talvez o balanço também pudesse denunciar algo. Mas nada importava naquele momento a não ser a procura e a busca um pelo outro.
Lucy jamais se sentira assim, tão satisfeita e ao mesmo tempo tão insaciável. Embora estivesse cansada de um dia cheio, com o corpo embebido em um vinho barato, sentia vontade de ficar dias trancada com aquele homem tão doce e ao mesmo tempo tão firme. Sabia que ele tinha muito mais a lhe oferecer e temia nunca mais saber o que era. Tinha medo do vazio que ele lhe deixaria ao partir, de nunca mais lhe beijar a pele. 
 Dessa vez, Lucy não sumira depois de terminar o ato. Pelo contrário, deitou o homem em seus braços, o olhou, o acarinhou e sorriu, tornando aquele momento doce e eterno.
 Não havia lua naquela noite, mas a chuva nunca fora tão bem vinda.
 

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A primeira vez que Lucius foi visitar Lucy em sua casa, divertiu-se como uma criança em um parque de diversões, onde pudesse mexer nas milhares de coisas divertidas e interessantes que ali existiam. Coleção de brinquedos do "Kinder ovo", alguns desenhos inacabados colados pela casa, bonecas penduradas, muitos pôsteres (principalmente da Cindy Lauper e dos Beatles). Em uma estante de madeira, já quase toda tomada por cupins havia uma caixa de couro vermelha, com colagens velhas que mais sujavam que enfeitavam a caixa. Lucius não se conteve.
Uma curiosidade o tomou subitamente. Precisava abrir aquela caixa que o desafiava. Olhando para os lados, temendo ser pego por sua amada, breve mas levemente Lucius empurrou a trava de metal enferrujada. Descobriu o maior e mais bizarro segredo de Lucy (pelo menos era o que ele pensava ser)...milhares de fotos 3x4 de mulheres, homens, velhos e crianças. A curiosidade havia lhe pego totalmente. " Não podem ser todos parentes. Tantos assim?Serão amigos e ex namorados?"
Lucy saiu do banheiro e se deparou com um Lucius diferente. estava mais nervoso, suando e com uma cara de criança que não entende porque seu cãozinho morreu.
Lucy soltou uma risada irônica e disse uma frase que deixou Lucius desajeitado, "que vistes aí?". Lucius até tentou relutar , mas acabou perguntando grosseiramente, talvez pelo nervosismo, "que diabos é isso? Tu conheces esse bando de gente?". Até continuaria com seu interrogatório, mas Lucy gargalhou e o fez paralisar. Com tom afável, Lucy respondeu "claro que não.Eu apenas coleciono." Lançou um olhar como quem dissesse que isso era natural, e o beijou como se o resto fosse irrelevante.
Ele nunca mais tocou no assunto, mas continuou com a curiosidade sobre aquilo que vira.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Lucy percebia no olhar das pessoas quem era como ela, quem omitia suas vontades ardentes. Mas com Lucius sentia o contrário. Sentia doçura, decência. E ao perceber isso, temia que ele descobrisse, temia seu julgamento.
Mas por que? Se ele era mais um, como os outros que passaram por sua vida... apaixo...não, não Lucy. "Amar a todos e nunca ser egoísta a ponto de amar somente um." Essa era a sua frase, a que melhor poderia descrevê-la.
Acontece que quando estava diante de Lucius, nada disso lhe parecia real. Como se fosse outra Lucy. A apaixonada e dependente de um outro ser...de um homem!
Mesmo assim, nada a impedia de viver suas noites, de sugar a essência de cada estrela, de cada lua cheia que lhe saudava. Suas noitadas lhe davam, além de prazer, criatividade para o dia seguinte e mais vontade de viver os dias que viriam. (continua)

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Quantas histórias ocultas existem naquele corpo. Se a cada transpiração ele revelasse seus segredos, todos se chocariam. Ficariam boquiabertos com suas verdades. Mesmo que no fundo quisessem fazer o mesmo.
Se a noite e os becos imundos onde ela liberta-se repetissem uma só frase dita por sua boca carnuda, muitos tampariam seus ouvidos. Outros porém, não esconderiam mais seus sexos.
Ninguém, além dela e dos seres que encontrava pela escuridão sabia de suas aventuras. Lucius não poderia nem imaginar dessa sua vida dupla.
ele era um tanto quanto... conservador, quando se tratava de alguém que ele mantinha relação, claro. Até lhe dava certo prazer ver esses filmes eróticos, ou escutar casos de seus amigos em orgias. Mas era inadmissível alguém que ele fosse tão próximo fazer esse tipo de coisa. Mais ainda Lucy, sua "amada intocável". (continua)


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Lucy amava... e como amava! Sentia amor por todos que conhecia. Se autodenominava uma "amante gulosa". Amava todos, queria todos, e muitas vezes ao mesmo tempo.
Todos sabiam dessa sua "coleção" de amores, e gostavam disso. Muitos lutavam para fazer parte de seu "álbum". Mas além de amores, colecionava amizades. Seus ex eram todos seus amigos... íntimos. Ela continuava a amá-los do seu modo, e não admitia separações. Aliás, tinha até um certo ciúmes daqueles que após o término do relacionamento seguiam suas vidas, com novas mulheres e novos amores.
Lucy havia sido madrinha de muitos casamentos. Todos, claro, por insistência dos futuros maridos. As mulheres morriam de inveja e ciúmes da relação deles com "aquelazinha". Também pudera, todas elas sabiam o quanto Lucy havia sido importante e quão significativa ainda era a relação deles com ela.
Lucy sabia disso, e com certa malícia provocava as mulheres, sempre dizendo que nada mais havia entre eles. Até porque ELA havia terminado!
Ah, o ELA! Como frisava essa palavra. Mas porque isso? Será que gostava de relembrar que havia terminado com sonhos dos apaixonados? Que havia lhes pisado os colhões?
Eles pouco se importavam, quer dizer, fingiam não se importar. Sabiam que Lucy tinha esse poder. Ela podia! E mesmo assim todos continuavam a lhe amar.
Era como um dom, um feitiço! Será Lucy uma bruxa? Não, nunca. Lucy era uma Ninfa, luz e muito amor e paixão. Não só isso... era também desejo, malícia e sedução. (continua)

terça-feira, 22 de maio de 2012

Um conto por causa de uma inspiração arrebatadora!!

Lucy o conheceu quando retornava para casa depois de uma longa caminhada sem propósito. Os olhares se cruzaram e faíscas saíram dos olhos de ambos. Era diferente do que via nos olhos de Lucius, onde um fogo brando, repleto de luz, que queimava aos poucos. com aquele rapaz de expressão séria, sentia um fogo rápido lhe queimar o corpo, subindo entre as coxas, lhe causando calafrios.
Não falaram nada, apenas se olharam. Até que ele lhe entregou um pedaço de papel com seu número e email. Ela acabara de ser seduzida. E adorou o flerte. Sentiu-se como em um filme antigo, em que os olhares falam tudo, antes dos corpos se cruzarem.
Depois desse dia, trocaram emails e aumentaram seus desejos. Quando o desejo já ardia de maneira que não podiam mais suportar, resolveram se encontrar.
A noite do encontro era propícia para sedução: quente, com uma lua brilhante e ruas desertas. Queriam conversar, mas a atração fazia com que as palavras se embaraçassem. Tentavam não se aproximar, mas sentiam um imã que os grudava. Se renderam então a um beijo cheio de malícia e fogo...muito fogo.
Sem trocar palavra alguma, buscaram um lugar obscuro, vazio, a espera de dois amantes. A partir daquele momento nada mais de palavras, nem gemidos, nem sussurros, apenas ações. Mãos percorrendo corpos. Nenhum pedacinho deixado de lado, sem atenção devida.
Mas as mãos já não eram o bastante para tantos locais... eram bocas, seios...tudo se entrelaçava.
A lua se foi banhada em desejo, sorrindo como os dois.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Ás vezes Lucy inventava alguns segredos. Quando Lucius descobria e lhe perguntava o porque da mentira, ela sorria e dizia que apenas queria colocar mais aventura e emoção nas histórias. Como ele poderia não sorrir e aceitar suas invenções? Lucy tinha uma imaginação fantástica. Criava história e personagens tão vivos que fariam inveja a Almadóvar ou Wood Allen.
Lucy adorava encenar novela, na maioria mexicanas. Dizia ela que eram mais divertidas. De inicio Lucius sentia vergonha e achava que Lucy realmente usava drogas. Mas com o tempo foi adorando a ideia. E até começa certas cenas no meio da rua, no café... o que impressionava e fazia com que Lucy se encantasse cada vez mais.Por vezes Lucius se empolga e os dois ou eram expulsos dos lugares, ou saiam correndo feito crianças que acabaram de aprontar algo.
Criança...era assim que Lucius se sentia ao lado de Lucy. Sua paixão era como de uma criança... pura e inocente.
Mas para Lucy ele era mais uma paixão em sua vida. Um amigo com uma "pitada de cor a mais". E ele sabia disso...Lucy já havia lhe dito como era. Falou isso depois de uma noite maravilhosa que tiveram. Lucius engoliu a seco, forçou um sorriso tentou dizer alguma mentira, como "eu também sinto o mesmo". Foi exatamente isso que pensou em dizer,mas só conseguiu balbuciar um "uhum".
Sentindo sua fraqueza, Lucius interrompeu o "monólogo" de Lucy com um beijo feroz, fazendo com que ela acreditasse que tudo estava bem, e que ele pouco se importava com seu jeito livre de ser. (continua)

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Lucy....

Lucy e Lucius...Parecia que foram feitos um para o outro. Assim como ele o masculinos de Lucy, e ela o seu feminino. Não deveria nunca ser diferente.
Cada vez que ela a via comentava essa descoberta, com um sorriso bobo nos lábios. Ela o olhava com ar repressor e lhe dizia que tudo aquilo era uma bobagem. coisas de criança. ele apenas concordava e pensava em silêncio:"é bobagem, mas é o que acho. É o que me faz acreditar que daremos certo."
Lucy, ele já sabia, não era de brincadeiras. e muito menos de sonhar com relacionamentos duradouros e românticos.
Mas embora fosse essa durona - como gostava de ser chamada - possuía certas manias peculiares, e de certo modo românticas.
Assim que conheceu Lucius, não pediu seu número de telefone e nem pareceu ter vontade disso. Diferente dele - que de tão nervoso para conseguir o número dela, deixou seu celular se espatifar no chão - Lucy apenas pediu seu endereço completo, com CEP, número da rua e da casa. Abismado e sem entender, Lucius buscou rapidamente um pedaço de papel, um guardanapo que fosse. Mas o que encontrou foi o rótulo da cerveja barata que haviam bebido ( que estranhamente e carinhosamente Lucy colocou em seu "caderno de memórias").
Uma semana depois, Lucius recebeu uma carta de Lucy. Ah! Nunca o carteiro foi tão bem vindo naquela residência. Até porque sempre levara contas e nunca cartas de bom grado.
Na carta, escrita com letra maravilhosamente desenhada, Lucy perguntava como ele estava, o que tinha feito na semana e outras perguntas um tanto quanto...estranhas, mas que o fizeram sorrir.
Porque alguém teria interesse em saber a cor do cadarço preferido de outra pessoa? E o sonho da noite anterior?
Engraçado! Mas mais engraçad era a segunda folha. Nela haviam desenhos sem sentido, adesivos e pequenos corações em torno da folha. Tudo tão sem sentido! Mas que se tornaram a coisa mais singela e significativa para os olhos de Lucius. Tanto que largou tudo o que deveria fazer, sentou-se diante de sua mesa e se pôs a escrever uma carta. Assim, durante todo seu "pseudo relacionamento" - como Lucy o chamara - trocaram curiosidades e pequenos segredos que muitas vezes não conseguiam relatar olhando no olho... (continua)

terça-feira, 15 de maio de 2012

Lucy

... a levou para casa, para o quarto e nem perguntou seu nome. Tiraram suas roupas como se uma força os movessem. Transaram, fizeram sexo, amor... Tudo o que a noite lhes permitiu. A lua os contemplava ao entrar pela janela de seu apartamento, no quarto andar.
Morando sozinho, nunca ligou para arrumações, não gostava nem de lavar panelas. Quanto aos pratos e copos, sentia uma certa satisfação ao lavá-los. Se divertia ao lavar enquanto escutava Paralamas do Sucesso. O resto da faxina "mais pesada", deixava para sua madrinha Heloísa. Tudo o que ela fazia era de coração, por amizade e carinho por Lucius e sua mãe. Lucius nem se importava quando ela mexia nos seus livros e cadernos tentando encontrar algum segredo seu. Mas se irritava quando trocava seus CD's de lugar. Virginiano meticuloso, gostava de manter seus objetos preferidos em ordem alfabética. Mania tida por ele como uma característica positiva, e não um defeito.
Naquela noite em que Lucy foi para lá, Lucius acordara atrasado e sua casa estava literalmente uma bagunça. Heloína não trabalhara naquele dia pois sua filha teria de fazer alguns exames (ou algo assim.).
Para ele a bagunça pouco importava. Havia muito tempo que ninguém o visitava. A limpeza nem era necessária. Mas logo naquele dia em que o "apê" estava jogado, ele arrumara alguém. Não qualquer pessoa, mas a mulher mais maravilhosa e decidida que cruzara seu caminho.
Lucius tentou pensar em alguma maneira de ajeitar tudo pela manhã, antes que ela acordasse.Mas a noite foi tão exaustiva, que quando acordou já passava do meio dia e Lucy já não habitava mais seus lençóis. Mas deixara um bilhete: "Te encontro no nosso bar. P.s. vá com a camisa verde que encontrei no seu armário. Lucy". (continua)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Lucy e agora também, Lucius...

"Doce como um anjo, misteriosa como um gênio e desejável como uma musa", assim Lucius se referia a ela.
Calado, um pouco mais alto que Lucy, tão alto que se curva, como se quisesse chegar ao pés. Mesmo tímido, sempre teve muitas mulheres ao seu redor. Seu sorriso sincero, seu jeito de menino, sempre fora uma espécie de charme, cativava moças de todas as idades e estilos. Lucy foi seu primeiro amor. Não sua primeira namorada, mas seu primeiro grande amor.
O primeiro encontro que teve com Lucy ainda se recorda muito bem, foi em um bar. Ela dançava e bebia como se estivesse sozinha. Não, nem dançava, flutuava como uma pluma em meio a uma brisa de verão. Era impossível tirar os olhos daquela saia que seguia o movimento meticuloso de seu quadril, que nem força fazia.
A luz do ambiente iluminava tudo, mas parecia que o foco era todo nela. Suas mãos seguravam o copo como se fosse um coração... O coração de Lucius.
As horas que ficou olhando para ela pareceram segundos. Tão pouco tempo que nem conseguiu lhe dar um simples "oi". Se sentiu um panaca diante daqueles "homenzarrões" que apertavam Lucy contra o peito e sussurravam obscenidades em seu ouvido. Enquanto ele... a olhava admirado, como se estivesse olhando o desabrochar de uma rosa em meio as cinzas de uma guerra.
Mas sua cara de bobo chamou atenção de Lucy, que se aproximou e lhe tirou para dançar. "Onde já se viu, ela me tirando para dançar", pensou Lucius. Não aceitou o pedido, nervoso sacudiu a cabeça em um sinal negativo. "Que burro!", sussurrou. Ela sorriu como se houvesse escutado. Saindo encostou seus lábios nos dele e correu em direção a porta de saída.
Lucius ficou paralisado, estático, mas em questão de segundos saiu atrás, puxou Lucy pelo braço e a beijou. Louca e ferozmente, como nunca havia beijado alguém. Ficou surpreso com sua atitude, mas adorou. Se sentiu como um verdadeiro "homem" e partiu com ela orgulhoso, olhando para os "homenzarrões" com desprezo... (continua)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Lucy...

Lucy é uma menina baixa, ruiva, com cabelos estranhamente cortados -como se houvesse errado o corte. Seus olhos são como duas "jabuticabas" (assim que seu avô se referia quando falava dos olhos da neta). Duas grandes e redondas jabuticabas que vez em quando crescem e parecem querer devorar quem a olha.
A boca tão carnuda e vermelha consegue apagar uma certa pureza que ela leva, a transformando num objeto de desejo. As sardas salpicadas levemente em seu rosto faz com que muitos tenham vontade de lhes tocar com os lábio, querendo contá-las uma a uma.
Seu corpo, com uma alvura tão iluminada que quando o sol lhe toca, deixa sua pele rubra, como que envergonhada por um elogio. Com o corpo coberto parece ser mais magra do que é. Mas quando deixa um pedaço de suas coxas à mostra - com intenção ou não - é possível ver que é uma moça com corpo de mulher. Quando coloca vestido é visível suas curvas e formas voluptuosas.
Seu cheiro flor exala por entre seu poros, sem necessidade de perfumes. Ao jogar seus cabelos no vento, solta um odor hipnotizante.
Sua voz tão baixa e sussurrante precisa de uma proximidade maior, o que só aumenta o desejo que todos tem em lhe beijar.
Lucy goza da noite, se esbalda em bebidas, em fantasias e se afoga em salivas alheias. Mas quando retorna para suas casa, deixa para a noite o que a ela pertence.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Lucy

Na manhã seguinte Lucy abriu os olhos rapidamente, muito diferente das manhãs em que acordava de ressaca, com os olhos pesados e corpo amassado. Olhou para o relógio e não acreditou na hora que piscava em vermelho. "Nove horas? Mas que merda é essa?", sussurrou para si.
O mais estranho é que não acordara satisfeita e realizada com a noite anterior. Sempre acordava tão bem! Como se aquele desejo que pesava em seu corpo de noite tivesse ido embora.
Aquela manhã soava fria e solitária. Lucy se sentia vazia e infeliz. Não compreendia como, mas sentia que aquele garçom que parecia um DEUS (com letras maiúsculas como pensou) e que apagara suas chamas noite passada, hoje era um nada.
Parecia que não havia saído de casa, que havia visto filmes no sofá até pegar no sono. Como se a noite passada não existisse. Como se ela não existisse.
Lucy parou diante da TV desligada com o olhar distante, procurando se encontrar. Descobriu algo terrível. Naquela manhã acordara sem nada por dentro, vazia como a vida que vivia. Chorou tudo. O que era, o que foi e o que poderia se tornar.
Se levantou lentamente e foi em direção a cozinha. Fez seu café, tomou e lavou sua xícara vermelha. Em um gesto suave abriu a gaveta do balcão da cozinha, pegou a faca e cortou lentamente uma maçã vermelha e robusta como seu coração.




Esse texto faz parte de uma série de contos que venho fazendo há algum tempo, sobre uma mulher que tem desejos ocultos e que faz de suas noites palco para suas fantasias. Ela procura algo como todos nós, parece não ter medo de nada, mas teme a si.
Só agora estou criando coragem para publicar!